Startup mistura arte, design e tecnologia para criação de ambientes interativos

07.06.2017 // Regina

A Ambos&&, incubada no Instituto Gênesis, atua na área de design de experiência, aplicando tecnologia em ambientes culturais e educativos. Os sócio-fundadores da startup, o professor de design Luiz Ludwig e a artista-pesquisadora Barbara Castro, já desenvolveram projetos para o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), SESC e Museu do Amanhã, e suas criação já foram exibidas em diferentes veículos de comunicação nacional e internacional como Discovery Channel Canada, Gizmodo, CNET e Exame. Assim como diz Luiz, a Ambos&& “proporciona experiências diferentes para as pessoas”. O intuito é auxiliar no desenvolvimento de exposições e projetos, aumentando o interesse e engajamento das pessoas pelos ambientes. 

Além de ambientes interativos em exposições, Luiz e Barbara criam e desenvolvem oficinas e consultoria para projetos culturais e educativos por meio da união entre arte, design e tecnologia. Com início em 2015, a startup nasceu a partir de um caso de sucesso. “Ao contrário de muitas startups, que primeiro desenvolvem uma ideia e depois testa na prática, nós começamos com um projeto que deu certo, e, daí, construímos um negócio” explica Luiz.

Luiz e Barbara fizeram a graduação em design juntos na PUC-Rio, onde conheceram o Instituto Gênesis. Após a formação, Luiz fez mestrado nos EUA e Barbara na UFRJ, e, ao retornar para o Brasil, ele começou a trabalhar com exposições e tecnologia. Com o surgimento de uma oportunidade para criar uma sala interativa em uma exposição no CCBB do Rio de Janeiro, Luiz recorreu à ajuda de Barbara, que realiza estudos sobre o movimento do corpo. O objetivo era montar um espaço onde os visitantes pudessem pintar como o pintor Carlos Bracher, utilizando um sensor de movimento. Com essa parceria, surgiu a primeira exposição da Ambos&&.

A partir do sucesso das plataformas interativas, eles pensaram se poderiam transformar aquilo em uma empresa e replicar as criações como produtos. Mas, para isso, precisavam estruturar o negócio. Começaram com a Ambos&& trabalhando de casa, até que ouviram a respeito do edital do Instituto Gênesis. “A parte criativa estava pronta, mas precisávamos estruturar um negócio. As consultorias [do Gênesis] foram fundamentais no início. Levei para a vida uma frase de um consultor de finanças ‘Não se consegue estruturar sem ter nenhum dinheiro entrando’, e nós não tínhamos nenhum no início, pegamos uma crise do setor cultural. Mas o Gênesis foi importante principalmente pelo ambiente, estamos aqui pensando em empreendedorismo, diferente do que estar em casa. O ar é diferente.” explica Luiz. 

A Ambos&& cresceu como startup. Antes eles realizavam uma parte da exposição, e aos poucos foram somando novas habilidades e criando exposições inteiras. “No festival de matemática fomos chamados para fazer curadoria, que não era originalmente um produto”, diz Luiz. Já existem planos para novas exposições em 2018, e, para Luiz, a maior satisfação é ver a interação das pessoas com as criações. “Durante a primeira exposição, de Carlos Bracher, a gente teve certeza que tudo estava funcionando com um bom resultado quando vimos as repercussões das redes sociais. Teve um ‘boom’ de hastags e uma pessoa disse ‘eu me sinto pintando igual ao Bracher’. Esse foi um momento muito marcante” diz ele.

Com o avanço da satrtup, a Ambos&& tem crescido em tamanho de projeto, assim como em faturamento. Nesses dois anos, eles já ganharam diversos editais, o que traz novas responsabilidades para a startup. “Agora temos que entender essas diferenças. Cada negócio tem uma especificidade. Estruturamos um negócio para ser prestador de serviço de instalações interativas, agora somos uma produtora cultural. Nossos concorrentes são outros. Parceiros que antes nos contratavam agora a gente que contrata eles” explica Luiz.

Neste ano, a Ambos&& foi selecionada em dois editais: o edital do BNDES e a seleção de projetos culturais do Oi Futuro. Para o BNDES, prevista para ser realizada em novembro, eles irão fazer a curadoria de uma exposição na Galeria BNDES sobre a Tropicália, com a proposta de uma releitura contemporânea e tecnológica de temas tropicalistas. Já para a exposição do Oi Futuro, que está prevista para 2018, a curadoria será responsabilidades da professora Doris Kosminsky e o tema será a visualização de informação, uma forma de comunicar a informação, de maneira clara, utilizando meios gráficos.

Para futuros empreendedores, Luiz diz que o mais importante não é ter uma ideia, e sim pensar em como estruturá-la. “Ideias eu tenho várias diariamente, e nem por isso eu saio empreendendo. É preciso saber trabalhar essa ideia, executar, chamar parceiros que permitam que ela vá para frente. E tem que ter persistência” diz ele. Outro ponto importante para o empreendedor é valorizar todos que ajudam na jornada e crescimento da empresa. “Tivemos pessoas muito boas perto da gente. É importante estar num ambiente empreendedor pra tomar atitudes empreendedoras, e temos que ser gratos a quem nos ajudou, porque o sucesso não acontece sozinho”.

Texto de Regina Iack