Projeto ensina crianças e jovens com deficiência auditiva a velejar

06.11.2017 // Maria

Pioneiro no Brasil, o projeto introduz expressões náuticas na linguagem de libras.

Desenvolvido pela velejadora Luisa Gandolpho, atleta da Nova Geração do Time Brasil, que tem foco na preparação para as Olimpíadas em Tóquio 2020, o projeto Velejando Por Um Mundo Melhor promove uma metodologia inovadora de inclusão de Vela para deficientes auditivos. Luisa aplica aulas para crianças entre 10 e 13 anos, utilizando movimentos com bandeiras e criando novas simbologias em libras para facilitar a comunicação à distância nas aulas práticas.

A primeira ação do Projeto é uma pesquisa de desenvolvimento humano, já aprovada pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), que visa a inclusão de crianças com deficiência auditiva na prática da Vela. Junto a isso, foi iniciado um Projeto Piloto com aulas quinzenais, divididas em dois semestres, apoiado pelo INES e pela PUC-Rio, onde a atleta cursa administração. Luisa atua como instrutora de oito crianças, com idade entre 10 e 13 anos, ensinando e construindo juntos novas formas de se aprender a velejar. O propósito é desenvolver uma nova metodologia de representação de sinais náuticos, que possam ser utilizados em todo o Brasil, possibilitando o ensino e, posteriormente, a inclusão de deficientes auditivos na prática da vela em regatas e competições.

No primeiro semestre são introduzidas aulas teóricas, com palestras, trabalhos de respiração, filmes e atividades para que as crianças possam sentir o vento. Já no segundo semestre, são aplicadas aulas práticas, com o apoio de um clube náutico, onde as crianças tenham acesso às embarcações. As ações realizadas no Projeto Piloto resultarão em materiais pedagógicos e vídeos em línguas de sinais, que irão compor um Guia de Ensino Oficial, específica para o ensino da Vela para deficientes auditivos. Ele será encaminhado para a Confederação Brasileira de Vela e distribuído em clubes náuticos no Brasil.

Além de deficientes auditivos, Luisa deseja trabalhar com a inclusão e a reabilitação de jovens e crianças amputadas através do esporte. Para auxiliar no desenvolvimento do projeto Velejando Para um Mundo Melhor e em projetos futuros, ela entrou no Instituto Gênesis da PUC-Rio, que promoveu um encontro com Danielle Furtado, coordenadora da área de Ciência e Tecnologia do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), para iniciar uma nova parceria. O Departamento de Tecnologia da PUC Rio também se engajou na causa, ajudando no desenvolvimento de próteses e órteses, assim como desenvolvimentos de sensores e cadeiras que ajudem a reabilitação e a inclusão das pessoas através da Inovação.