Startup cria sistema de inteligência para auxiliar lojas do varejo

22.02.2017 // Regina

Ter o próprio negócio demanda muitas responsabilidades e tempo.  A inteligência de negócios, ou Business Intelligence (BI), é uma forma de ajudar o empreendedor a realizar tarefas do cotidiano de forma mais ágil e inteligente. O objetivo é utilizar a tecnologia para facilitar a análise e interpretação de dados, identificar novas oportunidades de negócio e auxiliar na montagem de uma estratégia de longo prazo, melhorando, dessa forma, a atuação da empresa no mercado. E é nesse segmento que a startup a2i2 resolveu trabalhar, criando um sistema de inteligência e apoio à gestão de lojas do varejo.

A a2i2 é uma empresa que visa gerar oportunidades de negócio e receitas incrementais para seus clientes. Hoje, no varejo, existem sistemas que controlam a compra, venda e horários dos funcionários. A startup desenvolveu seu primeiro produto visando o setor farmacêutico, chamado flashfarma. O produto se propõe a fazer relatórios gerenciais e inteligentes que levem o dono da empresa a organizar melhor seu empreendimento. É um processo que auxilia a transformação dos dados brutos da empresa em informações compreensíveis e significativas para análise do negócio e tomadas de decisão.

Angelo Milfont, cofundador da empresa com a sócia Monica Barros, explica que o sistema de inteligência do flashfarma serve como um apoio à gestão do negócio. Ele busca informações relevantes e os coloca em formato gerencial, através de um aplicativo para celular e um website. “Muitas vezes os empresários não tem tempo nem conhecimento para tirar um relatório de um estoque segmentado, ou um que descreva quais os produtos que vendem mais ou menos. Normalmente ele consegue essas informações se for correr atrás no sistema que ele já tem. A gente se propõe a já entregar essas respostas no celular de forma automatizada. Criamos um sistema que tira as informações principais do negócio, como, por exemplo, o faturamento do dia anterior, e colocamos na palma da mão do empresário”, explica Angelo.

A startup entrou no Instituto Gênesis em 2016, como germinada, e um ano depois já havia crescido o suficiente para ser incubada. Angelo diz que, mesmo com experiência de 25 anos de mercado, formatar as estratégias da empresa com o Instituto Gênesis foi muito importante. “O Gênesis ajudou muito a formatar o negócio. Outro desafio, também, sempre foi o networking. O instituto ajudou a lapidar melhor a ideia e nos deu acesso à rede de contatos”, diz ele.

Com o sistema inteligente, o dono do estabelecimento tem acesso às listas de produtos que mais vendem, ou que estão parados no estoque, mas que podem ser movimentados para outras lojas, onde têm maior chance de venda, ou os produtos que não vendem em nenhuma loja. Além disso, ele permite mostrar produtos que são vendidos facilmente em conjunto. “Temos algoritmos que olham as compras dos clientes e identificam quais os produtos que mais se parecem com outros. Isso mostra para o empresário combos que podem ser vendidos juntos, como, por exemplo, fralda de piscina com protetor solar”, diz Angelo.

Atualmente, o flashfarma é voltado exclusivamente para o mercado farmacêutico, mas Angelo diz que pretende expandir a atuação do sistema. “O flashfarma é uma estrutura pronta para atender qualquer tipo de varejo. Fizemos nosso MVP [produto viável mínimo] voltado para farmácia, mas a mesma proposta pode ser usada para outros segmentos”, diz ele. Outra ideia para o futuro é arrecadar o maior número de dados de clientes possível, para gerar mais informações para a base do sistema e, assim, ajudar o mercado do varejo. Além disso, eles pretendem vender conhecimento para a indústria.

Como dica para futuros empreendedores, Angelo ressalta que é fundamental ter um plano de negócios, e diz que as melhores ideias morrem quando não se planeja. “A ideia pode ser muito boa, mas se não tiver um bom plano de negócio a empresa morre. É mais fácil uma ideia ruim com um bom plano de negócio dar certo do que uma ideia muito boa sem um plano”, diz ele. Além disso, ele diz que é importante rever as estratégias o tempo todo, como os custos da empresa e como se pode atingir os objetivos que já foram pré-definidos.

Texto de Regina Iack