Série Trajetórias: Empreendedorismo em tempo integral

19.07.2018 // Maria

Estamos iniciando com João Magalhães, diretor executivo da Minds at Work, a série TRAJETÓRIAS, em que apresentaremos a caminhada evolutiva das empresas graduadas pelo Instituto Gênesis através da narrativa dos seus empreendedores. Buscamos assim destacar as ideias, ideais, princípios e valores que guiam e inspiram a concepção, germinação, incubação e desenvolvimento contínuo de empreendimentos bem-sucedidos.

Com a palavra, João Magalhães:

Perfil do empreendedor

“O empreendedor precisa desenvolver o senso crítico e autocrítico. Precisa saber ouvir opiniões e ideias contrárias às suas. O individualismo não é nada bom. Precisamos estar abertos às diferenças e aos pontos de vista dos outros”.

“A principal característica do empreendedor é não ter medo de errar. É a pessoa que tenta fazer sempre mais e se vira para conseguir isso, seja pesquisando por conta própria, solicitando ajuda a outros ou buscando parcerias colaborativas”.

“Um excelente técnico que cumpre ordens e executa tarefas pré-estabelecidas poderá ter dificuldades para ser um empreendedor. E existem profissionais que buscam sempre agregar algo mais ao seu desempenho e resultados, estando aberto a críticas como feedbacks para o seu aperfeiçoamento. É muito bom quando podemos unir competências técnicas e comportamentais como a coragem, a desenvoltura e a vontade de solucionar problemas”.

O sonho não basta

“O empreendedor não pode ser apenas um sonhador. Ele precisa estar sempre atento ao que acontece ao seu redor e analisar o cenário global no qual está inserido. Em momento de crise é preciso se munir das melhores informações e estar preparado para o que pode acontecer, buscando se antecipar aos acontecimentos. As coisas não acontecem porque você quer e sonha. O universo não quer que você seja rico ou pobre, bem-sucedido ou malsucedido. Ter sucesso ou fracasso depende da forma como enxergamos as coisas. Devemos buscar a análise dos fatos para tomarmos as melhores decisões possíveis em nossa vida pessoal e profissional”.

“Com relação à crise, ela é uma situação de mudança. E se você souber se posicionar de forma objetiva e realística a crise poderá ser boa para a sua capacidade de superação. É muito fácil embarcar em ilusões. O pensamento positivo é muito bom, mas é preciso ter o pé no chão para se tomar as melhores decisões”. 

“Grandes mudanças acontecem a partir de pequenos aperfeiçoamentos frequentes. Você não consegue a melhor performance de uma hora para outra. Isso acontece de forma gradativa e constante. Tem que ter paciência, persistência, coragem e não ter medo de ouvir críticas, de errar e de aprender com o erro”.

Formação empreendedora

“Eu sou resultado do que aprendi na PUC-Rio. Foram quatro anos e meio na graduação, dois anos de mestrado e quatro anos de doutorado, que me educaram e transformaram minha mentalidade e atitude para ser um cidadão produtivo e empreendedor“.

“A Minds At Work começou no Laboratório de Engenharia da Puc-Rio. Fui aluno de Engenharia de Computação. Entrei na PUC em 1996 e me formei em 2000. Posso afirmar com orgulho que fui formado e transformado em empreendedor pela PUC-Rio. Fiz todas as disciplinas de empreendedorismo, tais como: Planejamento de Negócios, Comportamento e Atitude Empreendedora e Comunicação para Empreendedores. Isso determinou muito o meu direcionamento para a carreira do empreendedorismo e de ter o meu próprio negócio”.

Primeiros passos

“Os professores Salim e Carlos Lucena foram grandes incentivadores da minha escolha pelo empreendedorismo”.

 “Em 1997, comecei a estagiar no Centro de Estudos em Telecomunicações (CETUC) da PUC-Rio. Nessa época, tive a oportunidade de acompanhar o nascimento da Pipeway, hoje, empresa Graduada Gênesis, com próspera atuação na área de alta tecnologia para inspeção  e integridade de dutos.  Pude acompanhar o passo a passo dos seus fundadores, José Augusto Pereira, Ivan Janvrot e professor Jean Pierre, pessoas que tinham como ideal o espírito empreendedor de trabalharem com inovação.”

“Acompanhei todas as etapas de geração, gestação e amadurecimento de um projeto, que faz uma ideia virar uma iniciativa empreendedora. Falávamos: “vamos fazer”,  “vamos tentar”, “a ideia é boa”, “será que tem mercado?”,  “vale a pena nos aventurarmos?”. Pude acompanhar de perto cada fase de transformação de uma ideia em um empreendimento inovador.”

Geração Gênesis

“No ambiente PUC, existe o Gênesis que apoiou decisivamente meus sonhos empreendedores, com sua infraestrutura física e suportes de consultoria jurídica, financeira e de gestão. Outro ponto alto foi a proximidade com o ambiente acadêmico pulsante de geração de conhecimento e pesquisa, que possibilitava a colaboração permanente de professores e alunos do mais alto nível.”

“O grande diferencial do Gênesis ficou marcado, também, pelo ambiente de efervescência de ideias e pela proximidade com outros empreendedores em plena produção.  Todos tinham em comum o espírito de compartilhamento e de colaboração espontânea. O Gênesis respirava empreendedorismo, com as pessoas com vontade de fazer acontecer. Eu abria a porta da Minds at Work e ia tomar café e conversar com outros empreendedores, com todo entusiasmo e interesse pelo o que os outros estavam fazendo. Esse ambiente do Gênesis é um fator de motivação muito forte.”

"Nesta sala começamos a ganhar altitude de voo no mercado de software""Nesta sala começamos a ganhar altitude de voo no mercado de software"

Retribuição

“Acho que cabe a nós que tivemos acesso a uma formação com padrão de excelência buscar retribuir de alguma forma à sociedade. Dessa maneira, meu empreendedorismo não visa o enriquecimento material, mas sim uma riqueza produtiva, que resulta tanto na geração de oportunidades de trabalho e geração de renda para colaboradores, funcionários e fornecedores, como também, para a melhoria do desempenho e qualidade de atuação profissional dos clientes diretos e indiretos dos nossos produtos e serviços. Queremos ser uma peça relevante, que agrega valor, dentro de uma engrenagem muito maior, que se chama sociedade”.

Incubação

“Em 2006, era sócio de duas empresas incubadas no Instituto Gênesis: A Minds at Work, empresa de desenvolvimento de software, e a SuperClip, que surgiu da minha pesquisa de mestrado, e se configurava na ferramenta de busca e levantamento de notícias online sobre os mais variados temas. A Coca-Cola e o Senac foram alguns dos clientes de expressão da SuperClip”.

“Sempre achei que a SuperClip iria bombar e dar certo. Mas, não foi o que aconteceu. O grande aprendizado foi exatamente saber perceber o limite final de um empreendimento. Perceber quando um negócio não tem mais potencial para seguir adiante com perspectivas de crescimento exponencial é fundamental. O empreendedor precisa desenvolver essa percepção diagnóstica para encerrar na hora certa e poder partir para outras iniciativas”.

Cliente parceiro

“A Pipeway, graduada Gênesis de grande expressão, foi uma das nossas primeiras clientes e conta com nosso trabalho até hoje, ou seja, há mais de 20 anos somos parceiros. É uma empresa que presta serviços na área de inspeção e integridade de dutos para empresas das dimensões de uma Petrobras e de outras grandes organizações em vários países. São casos nos quais um erro na programação dos sistemas pode gerar laudos com falhas que podem acarretar, desde acidentes de gravíssimo impacto ambiental, até mesmo a perda de vidas humanas. Esse é um exemplo dos nossos produtos e serviços de missão crítica, baseados em softwares que não podem falhar”.

Minds em foco

“Finalmente, em 2007, percebemos que devíamos dedicar foco total na Minds at Work. Com o status de empresa graduada Gênesis, em 2008, a Minds at Work já tinha uma carteira de clientes bem razoável e eu já podia pagar todas as minhas contas”.

“Mudamos para uma sala em Copacabana com cerca de 100 m2, dos quais ocupávamos uns 50m2. Gradativamente fomos crescendo e passamos a ocupar um andar inteiro. Logo em seguida, alugamos outra sala. Atualmente, ocupamos um espaço com cerca de 400 m2. Hoje contamos com um quadro funcional de mais de 40 funcionários e temos nossos softwares presentes em setores produtivos de grande expressão no Brasil e em outros países como Estados Unidos, Argentina, Bolívia, México, Malásia e Cuba”.

“O período nacional de séria crise econômica e política foi complicado para todos, mas agora podemos perceber que o nosso avião está com o bico para cima, ganhando altitude de voo”.

Instalações da nova sede da Minds at WorkInstalações da nova sede da Minds at Work

Missão crítica

“A Minds se consolidou como uma empresa de serviço para o desenvolvimento de software e sistemas de missão crítica, que são aqueles cuja falha, ou atraso no tempo de resposta, podem acarretar grandes prejuízos financeiros, acidentes de impacto ambiental e até mesmo o risco de morte”. 

“O objetivo de qualquer software é evitar falhas na execução de processos, projetos e serviços. O segredo do software de missão crítica não é só fazer com que que ele seja o mais livre possível de defeitos, mas também minimizar os impactos quando um defeito ocorre. A falha, caso ocorra, tem que ser controlada”.

Relacionamento humano

“No meu último semestre de graduação percebi que estava muito concentrado no desenvolvimento do perfil técnico e resolvi dar atenção às disciplinas ligadas às ciências humanas. O ser humano é um ser social e precisa se relacionar bem para conseguir evoluir nos diversos planos da sua existência. A computação é uma área técnica, mas ela existe para facilitar a vida do ser humano. Isso é fundamental para a formação do empreendedor”.

“É preciso colocar coração para buscar produzir o melhor de si para o todo. Aí tudo o mais será consequência. Ao agregar valor naquilo que fazemos chegamos perto do que considero como sucesso de cada um em benefício de todos”.

Cooperação pelo bem de todos

“Duas pessoas que trabalharam para mim hoje em dia têm as suas próprias empresas. A meu ver, a Minds at Work não perdeu essas pessoas. Tenho a clara noção que o empreendedor deve ser um educador também, para ajudar a formar e incentivar outros empreendedores. Nesse caso, a função educativa acontece muito mais pelo exemplo do que pelo discurso. O empreendedor deve ser claro, transparente e sincero, para criar à sua volta uma rede de cooperação e conexões produtivas”.

 “Os profissionais que saíram da empresa para abrirem seus próprios negócios, contaram com todo meu apoio. Fiquei muito satisfeito por tê-los ajudado a tomarem essa decisão com coragem. Faz todo o sentido, pois percebo o exercício também da minha função educativa para novos empreendedores”.

 “Converso com meus concorrentes e trocamos ideias como amigos.  Não consigo ver meus concorrentes como inimigos. Acho inclusive que isso deve ser encarado como uma missão: formar pessoas com perfis empreendedores e de cooperação pelo bem de todos. Pessoas com o desejo de mudar o mundo para melhor”.

País melhor para se viver

 “O apoio da família é fundamental para o empreendedor. O empreendedor não pode desperdiçar tempo. No trabalho, eu fico 100% focado no que estou realizando. Quando estou em casa, fico 100% focado em minha esposa e filhas. Busco sempre estar inteiro naquilo que faço.”

“Penso em minhas filhas, Clara (4 anos) e Beatriz (5 meses) , esperando que o Brasil delas seja verdadeiramente um país bem melhor para se viver.”

“É muito bom saber que meu empreendimento gera renda para muitas famílias dos funcionários da Minds at Work. Isso não tem preço. Isso me faz pensar que estou ajudando o meu país e favorecendo outras pessoas a oportunidade que tive de crescer e me desenvolver como empreendedor.”

 Conheça melhor o perfil da Minds at Work:

http://www.mindsatwork.com.br/sobre-a-minds.html

 

 

 

 

 

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