Como vincular trabalho remoto com cultura corporativa?

11.06.2018 // Maria

O home office tem suas desvantagens: como fica a festa da firma, a cerveja com o pessoal do trabalho, a confraternização de fim de ano? Além disso, aquele papo de bebedouro e de cafezinho não é saudável para qualquer ser humano? Se a conexão com o outro gera uma cultura corporativa, quais são os desafios para uma empresa formar uma equipe de funcionários remotos?

A EZOps é uma incubada do Instituto Gênesis que optou por esse tipo de trabalho. A startup atua com uma equipe de desenvolvedores de software melhorando a infraestrutura de empresas para alcançarem a máxima performance. Uma startup inovadora que quis inovar até na sua organização – todos os seus funcionários fazem home office.

Com uma equipe bem diversificada, a dificuldade do trabalho remoto é tornar a EZOps presente na casa de cada funcionário. Thais Pinho, sócia do Thiago Maior, fundador da empresa, conta que chamou uma consultoria de Rh para fazer um estudo de clima. E detectaram: um dos maiores problemas é que a família não consegue enxergar que home office também é trabalho sério. “Tínhamos que fazer uma campanha para mostrar para esse profissional a importância do seu trabalho” disse Thais, “e um trabalho de conscientização da família” para que não haja interferência durante o horário do ofício.

Às vésperas da Copa do Mundo, a ideia foi fazer um bolão virtual com todos os funcionários. Além disso, a EZOps vai mandar para casa de cada membro da equipe um kit da empresa para toda a família torcer durante a competição. “A gente não tinha idéia do valor disso”.

Outra ideia de interação é promover aulas de ginástica laboral por videoconferências para os desenvolvedores de software. Estudos indicam que o exercício físico faz com que o cérebro entenda a mudança de ambiente. Ou seja, faz o funcionário discernir o espaço de lazer do espaço de trabalho – que, no caso do home office, ocupam o mesmo quarto. Mas isso ainda está sendo pensado pela sócia.

O que ela já faz e pretende fazer com mais frequência é uma reunião mensal no estilo “one-on-one”. O intuito é fazer a equipe conversar, todo mês, sobre alguns pontos do trabalho remoto: os obstáculos pessoais e profissionais, a motivação de cada funcionário, o que melhorou na rotina deles etc. Para ela, é importante entender como os funcionários estão se sentindo.

Mas não ter o bate-papo informal entre os funcionários também tem suas vantagens. “A produtividade é um benefício muito forte”. Thais diz que a comunicação no trabalho remoto tem que ser muito clara – gastando menos tempo de papo furado e muito mais tempo produzindo de fato. E a EZOps consegue se fazer presente e próxima aos integrantes da equipe por meio de diversos aplicativos.

Alguns dos apps usados são: o Slack, que funciona “como um whatsapp profissional”, um aplicativo de mensagens bom para criar grupos com clientes e fazer videoconferências, por exemplo. O Google Hangout, que é usado para as reuniões diárias da EZOps. O Trello é o gerenciador de tarefas, ótimo “para controlar a produtividade”. O Time Doctor bate o ponto remotamente e controla o tempo gasto com cada tarefa de um determinado projeto. E o Right Signature, que serve para eles assinarem sem sair de casa – mas alguns documentos essenciais ainda precisam ser feitos presencialmente por conta do entrave da legislação brasileira que ainda não acompanha o desenvolvimento tecnológico.

Porque, no Brasil, a assinatura digital ainda não foi aprovada. E isso é só um dos problemas da legislação brasileira sobre o trabalho remoto. “Ela não entra em muitos pontos que a gente precisava. Ela menciona sem falar sobre todos os problemas” confessa Thais. A EZOps também oferece um lugar alternativo para trabalhar próximo à casa de cada funcionário. Para essa busca de locais existe Karen Pires – o Rh da EZOps. Ela controla a entrada e a saída dos profissionais nos aplicativos; registra as férias e os exames médicos com o app PeopleHR; e ajuda na primeira etapa do processo seletivo dos futuros empregados.

Por meio de uma entrevista via Skype, ela tenta perceber o ambiente da casa do funcionário. Um curso à distância no currículo do profissional home office também pesa na avaliação. E Karen traça um perfil de cada um com um quiz online – se é criativo, analítico, organizador ou comunicativo – para entender a demanda da equipe. A segunda etapa é feita pelo Thiago com perguntas mais técnicas sobre desenvolvimento de software.

Aprovado, o profissional receberá o laptop e a capacitação necessária para começar a trabalhar – alguns cursos online são fundamentais, algumas tarefas simuladas e reuniões diárias também são feitas. Depois de três meses, todos conhecerão as principais ferramentas de desenvolvimento de software que a empresa utiliza.

Só vai demorar mais tempo para o profissional se acostumar com as novas amizades. A EZOps faz uma reunião presencial mensalmente. E uma das brincadeiras da reunião é descobrir quem é quem.

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