Palestra sobre Competências e Cultura para Inovação

15.05.2018 // Maria

Se você virar seu Iphone, não verá mais escrito “Made in China”. E, sim, “Design by Apple in California”. O valor não está mais no produto. Está na idéia por trás dele.

Na palestra sobre competências e cultura para inovação, Marcelo Nascimento, fundador da agência Binky e consultor de Branding do Instituto Gênesis, começa: “inovação não tem a ver com produto. Tem a ver com pessoa”. Ele diz que, como todo o investimento em equipamento foi barateado, o produto como matéria deixou de ser importante. Hoje, qualquer empresa de computador pode construir um laptop. Mas, por que queremos comprar o laptop da Apple?

Porque “os melhores produtos nascem do entendimento das necessidades das pessoas”, Marcelo explica. O fato do carregador do Mac ser um imã, por exemplo, mostra o cuidado que a Apple tem em pensar seu produto. O carregador do Mac é projetado para quando as pessoas tropeçarem, não levarem o laptop ao chão. É feito para as pessoas que olham pra frente e não para baixo – e, por isso, tropeçam no fio do carregador. Isso que faz da Apple uma empresa inovadora e desejada. Para a empresa – e para Marcelo Nascimento –, “design é a arte de projetar para alguém”.

Como criar um produto Inovador?

Todo produto novo pretende ser inovador. Por isso, para se criar um produto inovador, Marcelo recomenda seguir as seguintes etapas:

  1. Definição: quando você entende o problema do outro.
  2. Pesquisa: quando você olha o usuário, estuda a sua cultura, seus hábitos, seus costumes.
  3. Ideação: quando você gera hipóteses que podem ou não atender às necessidades do outro.
  4. Prototipagem: fase de teste para receber feedbacks. Momento em que você precisa errar, precisa ouvir, precisa recomeçar e melhorar seu produto.
  5. Seleção: é a escolha do melhor protótipo que resolve o problema do usuário.
  6. Implementação: quando você disponibiliza seu produto.
  7. Aprendizagem: sempre!

O momento que separa um produto comum de um produto inovador é a terceira etapa. A ideação é o momento mais livre e mais sério no processo de criação do produto. É o momento do brainstorm – em que a empresa deve ser diversificada e totalmente livre de julgamento e preconceito a fim de gerar novas idéias.

Por mais que nas duas primeiras etapas você tenha estudado dados e comportamentos de seu futuro cliente, o produto inovador nunca obedece às tendências – e, por isso, se caracteriza como inovador. Se você seguir as pesquisas ao pé da letra, criará um produto já existente no mercado. Para Marcelo, “inovação não é um processo algorítmico. É um processo heurístico”.

O que falta para o Brasil ser inovador?

Para Marcelo, uma das características das empresas brasileiras é a falta de planejamentos de longo prazo. Elas gastam dinheiro em marketing, gastam dinheiro para fazer as pessoas desejarem as coisas. Elas não investem para dar valor a sua estrutura, construir uma reputação e uma cultura de empresa. Elas preferem “matar um leão por dia e não olhar pra frente”.

Marcelo dá um exemplo: uma empresa que tem como valor cuidar de animais de rua não deveria, ao final do mês, premiar o seu funcionário que gera mais lucro. Ela deve reconhecer o empregado que mais ajuda animais abandonados – seguindo, assim, os valores da empresa. As ações têm que ser coerentes com seus discursos.

Para o nosso consultor, as empresas brasileiras colam um papel escrito “INOVAÇÃO” no escritório e esperam que seus funcionários criem um produto inovador. Por fim, gratificam o empregado que gera mais renda para a sua empresa. E não aquele que coloca em prática a visão, a missão e os valores da empresa.

Falta para o Brasil um olhar mais antropológico dos seus produtos. Pensar no usuário a partir de suas memórias, vivências, valores e crenças. Deixar de gastar dinheiro fazendo com que as pessoas desejem coisas. E, sim, fazer coisas que as pessoas desejam.

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