Inovação e sustentabilidade na moda

01.11.2017 // Maria

A Maré é uma startup, incubada no Instituto Gênesis, que visa a redução de impacto ambiental ao resgatar materiais que seriam descartados e reutilizá-los na confecção de relógios. A empresa, em seus dois anos de estrada, produziu seus relógios utilizando madeiras de demolição ou reuso, de diversas origens como peroba rosa e ipê tabaco, dando uma nova vida a um material nobre que seria desprezado. 

Buscando outros materiais para produzir os Marés, o sócio João Victor Azevedo, professor de Design na PUC-Rio, sabendo que a indústria têxtil é a segunda no ranking mundial de potencial poluidor do meio ambiente, decidiu inovar. Pegou uma calça jeans em casa, tentou produzir um relógio com esse material, aprimorou os resultados e agora lançou o Maré feito de sobras de jeans. Apesar de não ser biodegradável como a madeira, a toxicidade do jeans e suas consequências – contaminação dos lençóis freáticos e do solo – não se propagam, pois o ciclo de vida do material é prolongado.

Além do relógio de jeans, João trabalha em um modelo de alumínio, feito com latinhas descartadas de bebidas. João Victor já possui um protótipo do relógio de alumínio e está focado em trabalhar na estética para chegar a um resultado final satisfatório e, assim, colocá-lo à venda. O sócio ainda acrescenta “Não quero fechar só em relógio ou só em madeira. O essencial é o baixo impacto e o reuso. Isso é a Maré”.

O relógio é composto por quatro itens: caixa, dial, pulseira e movimento. A caixa de madeira reutilizada é a grande marca da Maré. O dial - feito de materiais naturais, tintas 100% orgânicas e gravações a laser - marca as horas com reduzido impacto ambiental, tanto na fabricação, quanto no descarte desse dial. As pulseiras são de couro de sobra de produção, câmara de pneu e lona de material reciclável e completam o conceito de consciência ecológica do produto. O movimento, assim como as maiores marcas do mundo, é de quartzo japonês, o que garante ao relógio uma precisão de qualidade.